2026 e outras urgências
Oi! É, eu sei, ando sumida. É que
a vida anda muito corrida, os dias estão preenchidos de várias atividades,
afazeres e obrigações, deixando a hora mais curta e os minutos da rotina mais disputados.
Acabo me vendo obrigada a fazer concessões e, nessas disputas, a escrita infelizmente
não tem sido privilegiada. Mas juro que não é por falta de vontade!
No momento, me vejo como uma
vítima desse impulso desenfreado de querer (e precisar, muito!) sobreviver.
Nenhum movimento está descolado do meu objetivo de crescer. Cansei, sabe?
Demorei muito para levantar e, depois que comecei a andar, percebi que era
possível correr. E daqui de onde estou, praticamente no começo de uma nova
jornada, acredito que se eu fizer tudo direitinho, vou conseguir até me vencer.
A questão é que sobreviver ocupa muito
espaço, gasta muito tempo e toma muita energia. E, às vezes, tudo o que a gente
quer e gosta de fazer precisa ficar em espera enquanto a vida cobra o que deve
ser feito. Ainda que os planos tenham sido traçados por você, numa versão bem
otimista do passado.
E acho que é isso que precisa ser
falado. A gente cresce ouvindo que tem que seguir o coração, fazer o que ama,
não abrir mão dos próprios sonhos... Mas ninguém avisa que, em alguns momentos,
seguir em frente significa justamente o contrário: fazer o que é necessário,
não o que é desejado. Embora você deseje muito. Embora quem esteja à sua volta queira
muito também.
E essa conversa é para dizer que
esse hiato não é sinônimo de desistência, muito menos significa que eu parei.
Talvez, de fora, pareça silêncio. Mas posso garantir que, por dentro e por fora,
existem diferentes enredos acontecendo. Outras novelas, com novos capítulos que
se expandem conforme avanço. Muita ação, suspense e uma pitada de drama.
E eu te digo isso com sinceridade,
como quem divide um café no meio de uma manhã de sol de uma sexta-feira útil:
tudo bem. Tudo bem quando a gente consegue se dedicar ao que ama, quando o
tempo abre espaço, quando a rotina dá uma trégua. Mas também está tudo bem
quando a vida pede outra coisa da gente. Como uma nova faculdade, outra rotina,
dois empregos, um esporte que te obriga a treinar, responsabilidades que, às
vezes, nem brilham tanto, mas que amparam muita coisa importante lá na frente.
Calejada, aos 43 anos, já percebi
que nem sempre a gente pode viver o que ama no agora. Às vezes, é preciso
preparar o terreno. Capinar, adubar, semear. Tudo isso faz parte do processo, assim
como aceitar que às vezes chove. Às vezes, há estiagem. Às vezes, tudo o que a
gente planta é atacado por uma praga terrível, que mata o que a gente ama, obrigando
a cultivar num solo prejudicado, que dá a impressão de que nunca mais vai
vingar.
Só que é da nossa natureza não
desistir e insistir. Um pouco masoquista, mas é assim.
Então, se você estiver aí, se
sentindo meio distante de algo que gosta, talvez não seja distância… talvez
seja só um desvio necessário. Uma pausa estratégica para um retorno triunfal.
Ou não. Talvez seja você criando novas possibilidades, uma vida diferente que
ainda nem sonhou, que ainda nem acredita ser possível viver.
No fim das contas, a gente é mais
do que um caminho só. A gente é travessia. Tem dias em que somos barco,
tentando nos manter firmes. Em outros, somos o próprio mar: fundo, intenso e
imprevisível. E, em certos momentos, somos também a tempestade que bagunça absolutamente
tudo, mas que, de algum jeito, reorganiza naquilo que sustenta. No que importa.
No que faz realmente diferença.
A gente é dia de sol e noite de
chuva. É calmaria e vento forte. E não tem erro nenhum em ser tudo isso, em diferentes
fases da vida. Somos cíclicas, feitas de muitas e muitas histórias.
Te digo isso enquanto tento, eu
mesma, acreditar nessas palavras: respira. O que hoje é freio, também é construção.
O que agora pesa, vira direção. O que é seu, o que você ama e sonha, não se
perde. Fica. E, quando chega a hora, floresce. Jamais se esqueça de que raiz também
alcança o céu.
P.S.: Antes que alguém me
pergunte (ou cobre, com carinho), sim: o livro das TPM vai sair. O final está
aqui, respirando no tempo dele, acontecendo dentro da minha cabeça, do jeitinho
que começou. Assim como Trevon, ainda preso naquele futuro que ficou inacabado
no passado. Quando for a hora, eu lanço. E vai valer a espera.
Enquanto isso, sigo equilibrando
sonhos e boletos, roteiros mentais e contas, estudos e mercado. Porque escrever
sempre foi entrega. Mas viver é caro.
Por isso, se você acompanha, lê, sente
saudade, torce para eu voltar logo… saiba que isso faz muita diferença para mim.
E, se quiser colaborar de forma um pouquinho mais concreta, meu pix também aceita
carinho.
Essa crônica pode ser ouvida: ouça caribu.